PRÊMIO NÓSSIDE - UFRJ - 08/06/2009

MENÇÃO DISTINTA - PRÊMIO NÓSSIDE - ITÁLIA

HOLLYWOOD MUSIC AWARDS - CANÇÃO INDICADA

POESIA "COMO NOSSOS FILHOS"

Veja a webnovela VENTO NORTE: www.spetaculos.com.br

13/07/09

O SHOW DE PAULO FREIRE NO RIO DE JANEIRO

Muito bom o show de Paulo Freire, que assisti no sábado na sala Baden Powell (Copacabana - RJ). O show é de lançamento do CD Nuá- As músicas dos mitos brasileiros. Nesse show, ele mostra, em doze temas instrumentais, seus encontros com os seres que povoam as nossas matas e o imaginário brasileiro, sempre contando os causos que deram origem às músicas.

Comprei o CD, que é lindo demais da conta. Na verdade, é um livro, com o disco encartado, onde estão escritos todos os causos que dão origem às músicas. Ele já passou por São Paulo, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro. Ainda estará com o show em várias cidades brasileiras, durante o mês de julho, a saber:

15/07 - Belo Horizonte - Auditório do Museu de Arte da Pampulha

18/07 - Araraquara - SESC

24/07 - Curitiba - Teatro Paiol

25/07 - Porto Alegre - SESC

31/07 - Campinas - SESC


Nos links, abaixo, estão algumas filmagens feitas durante o show:

1. Dona do capeta - O causo e a música
http://www.youtube.com/watch?v=0Sg29y40agE

2.Teiú do jarau - O causo
http://www.youtube.com/watch?v=rkvUUk0uwsk

3.Teiú do jarau - A música
http://www.youtube.com/watch?v=o0GJDHzNa7k

4.Nuá - O causo
http://www.youtube.com/watch?v=v8O8zszEbXQ

5.Serpente emplumada - A música
http://www.youtube.com/watch?v=rvy7F0jAQH4

Algumas fotos, a seguir:
Paulo Freire
Paulo Freire
Tuco Freire (baixo), Adriano Busko (bateria), Paulo Freire e Adriano Ribeiro (clarinete)
Adriano Busko e Paulo Freire
Adriano Busko, Paulo Freire e Adriano Ribeiro
Paulo Freire e Felipe Cerquize

10/07/09

FOTOS DURANTE A FLIP - PARATI (RJ)

FLIP
Tenda dos autores
FLIP
Tenda dos autógrafos
FLIP
Tenda do telão
FLIP
Praça principal no centro histórico de Parati
FLIP
Personagem travestido de escravo em praça de Parati
FLIP
Paula Saldanha na Flip Zona
FLIP
Painel na Tenda dos Autores
FLIP
Painel formando imagem de Manuel Bandeira
FLIP
Manuel Bandeira - O homenageado da Flip 2009
FLIP
Foto na Tenda dos Autores
FLIP
Flores no telhado - Parati
FLIP
Flip Zona
FLIP
Tenda do telão
FLIP
O eterno movimento dos barcos
FLIP
Bonecos de crianças pegando balão na praça
FLIP
Bia Bedran na Flipinha
FLIP
Tigre, do Grupo Angolinha, tocando Berimbau


08/07/09

SHOW DO TUNAI EM VISCONDE DE MAUÁ

Valeu muito a pena ir a Visconde Mauá, no dia 03/07/2009, para ver o show do amigo Tunai Mucci. Abaixo, uma pequena mostra do que foi o espetáculo:

1.Gravações durante o show do Tunai no Terra da Luz, em 03/07/2009:

a) http://www.youtube.com/watch?v=1mnY-jqMwx0 - Frisson
(Tunai e Sérgio Natureza) - Com Tunai e Bruno Felga

b) http://www.youtube.com/watch?v=Ednw2tkf1Jw - Sobrou pra mim
(Tunai) - Com Tunai e Bruno Felga

c) http://www.youtube.com/watch?v=-RAksDCvNn0 - Certas canções
(Tunai e Milton Nascimento) - Com Tunai e Bruno Felga

d) http://www.youtube.com/watch?v=T0yrewSBVmk - Agora tá
(Tunai e Sérgio Natureza) - Com Tunai e Bruno Felga

e) http://www.youtube.com/watch?v=paPvRKP6Eq8 - De frente pro crime
(João Bosco e Aldir Blanc) - Com Tunai e Bruno Felga

2.Fotos durante o show do Tunai no Terra da Luz, em 03/07/2009:
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TUNAI e CERQUIZE
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CERQUIZE, TUNAI, BRUNO FELGA e NILZA

TUNAI

TUNAI E BRUNO FELGA

06/07/09

VENTO NORTE - SINOPSE

Webnovela em exibição no site: http://www.spetaculos.com.br
SINOPSE
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A vinda de um meteoro mexe com a vida do planeta. Será o fim do mundo ou o começo de algo maior? A descoberta foi feita por Raíssa Medeiros, jovem metereóloga que alimenta, sem perceber, as ambições do esposo - Vespócito Bragança. Os dois são os responsáveis pela CMMB, Companhia Metereológica Medeiros Bragança, que presta serviços para rádios paulistanas e ganha fama internacional com a notícia do provável apocalipse.
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É na CMMB que Vespócito foca suas maiores expectativas. Dinheiro, fama e prestígio. Tudo isso ao lado da cúmplice e amante Madaleine Trombeta.
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Madaleine é sobrinha de Ascânio Trombeta, um médico que largou a profissão para estudar os mistérios do universo. E, estudando, descobriu que os universos são muitos. Viúvo, Ascânio criou suas duas sobrinhas, Madaleine e Carmina, além de Lábaro, filho que adotou com sua falecida esposa.
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Lábaro segue os passos do pai. Sonha em ser médico e busca a expansão de sua consciência. Carmina é sócia de um escritório de arquitetura que, motivado pelo fim do mundo, decide construir uma imensa nave espacial para os interessados em fugir da possível tragédia.
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Os responsáveis por essa nova Arca de Noé são Coralina e Edgar. Ela, sócia de Carmina, encanta-se pelas possibilidades estéticas da nave. Ele, cientista e engenheiro, pela oportunidade de realizar seu mais ousado sonho. Um projeto ambicioso que só esbarra nos desatinos de Joana, a majoritária e deslumbrada sócia de Carmina e Coralina.
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Carmina namora o irmão de Coralina, Marta, um jovem jornalista que vive explicando o fato de ter nome de mulher. Marta tem seu idealismo confrontado com as jogadas de Caio Petrus, redator chefe do Correio do Estado, influente periódico da cidade. Para Caio, o fim do mundo nada mais é que uma jogada de marketing. E, como tal, deve ser combatido.
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Em meio ao caos, uma luz no fim do túnel. Zéfiro, um misterioso rapaz que pode tirar Raíssa da mira de Vespócito e o mundo deste perigoso cataclisma.
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Diversão e reflexão em 14 capítulos. Vento Norte, a nova novela da Spetáculos.
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FICHA TÉCNICA
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Novela de Leandro Barbieri
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Direção de Leandro Barbieri e Silvia Cabezaolias
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Edição: Silvia Cabezaolias
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Produção: Magali FlocFabiana Salvi
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Fotografia: Dino Dinossauro e G. Costa Marina
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Abertura: James Eduardo
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Elenco:
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Ascânio Trombeta – Valdir Zanquini
Raíssa Medeiros – Mariza Marchetti
Zéfiro – Pedro Ivo
Vespócito Bragança – Jorge Van Damme
Madaleine Trombeta – Juliana Garcia
Linda Trombeta – Delia Kuschnir
Lábaro Capella – André Zillig Guilguer
Carmina Trombeta – Nataly Nascimento
Caio Petrus – Sérgio Thales
Marta Gouveia – Paulo Prazeres
Coralina Gouveia – Kathia Ratnieks
Joana Feliz – Roberta Amaral
Verônica Nicarágua – Natália Vooren
Edgar Naves – Nelson Nafranauskas
Tibério Camargo – Ronaldo Michelotto
Analu Brocalho - Daniella Peneluppi
Jacques Lavousier – Gilles Sabard
Matilde dos Reis – Maria José Roth
Mederix Gutiérrez - Aramyz
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Trilha Sonora selecionada por Leandro Barbieri e Sacha Sésamo:

Vento Norte
De: Leandro Barbieri e Felipe Cerquize
Voz e arranjos: Marcos Assis
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Belas Palavras
De: Marcos Assis e Jorge Sales
Voz: Denise Dalmacchio
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Entre os Astros
De: Felipe Cerquize e Célio Mattos
Voz: Célio Mattos

Liberdade
De: Felipe Cerquize e Marcos Assis
Voz: Denise Dalmacchio
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Trilha Incidental de Caco Bocchi
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Realização: Spetáculos 2009

02/07/09

VENTO NORTE

No dia 7 de julho, Leandro Barbieri, pioneiro em webnovelas, estreiará mais uma no site http://www.spetaculos.com.br/. Chama-se VENTO NORTE e o clipe de abertura já está nesse endereço. Essa é a primeira webnovela da Spetáculos em que eu também participo com a música de abertura, numa parceria em que a letra é do Barbieri....
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Convido vocês, então, a acessarem http://www.spetaculos.com.br/ para assistir o clipe de VENTO NORTE ao som da música de abertura. O arranjo e a voz na gravação é do músico Marcos Assis...
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VENTO NORTE
Música: Felipe Cerquize
Letra: Leandro Barbieri
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Nostradamus escreveu
Um maia previu
A Bíblia citou
A astrologia indicou
...
Que tudo que começa, acaba
Que tudo que acende, apaga
...
Não falamos de explosão
Não falamos em tragédia
No fim da confusão
Tudo vira comédia
....
Não falamos de desgraça
Não falamos da morte
Mas da grande expansão
Que vem com o Vento Norte
....
Realidade em plural
Diversidade natural
Não há tempo ou lugar
Que limite o olhar
..
Nada começa, nada acaba
Estar é ilusão, ser é a questão
....
Não falamos de explosão
Não falamos em tragédia
No fim da confusão
Tudo vira comédia
....
Não falamos de desgraça
Não falamos da morte
Mas da grande expansão
Que vem com o Vento Norte

23/06/09

PARCERIA COM CLAUDIO NUCCI

Ouçam minha recente parceria com Claudio Nucci no MySpace: http://www.myspace.com/felipecerquize É a primeira música que toca ao se acessar a página.

Abraços!

Felipe Cerquize

RIO DE MARÇO
Claudio Nucci
Felipe Cerquize
..........
Meio banto, meio celta
Avião e asa delta
Meio inchada, meio esbelta

.........
Meio praia, meio campo
Meio lazer, meio trampo
Grilação e pirilampo
..........
Meio amor, meio ira
Meio espora, meio espira
Meio lero, meio lira

.................
Assim é nossa cidade
Meio livre, meio grade
Entre a mentira e a verdade
..........
Flor de março em janeiro
É pandora e pandeiro
Entre o altar e o terreiro

..............
Meio morro, meio abismo
Sinceridade e cinismo
Entre a altivez e o autismo
................
Meio mar, meio rio
Meio seca, meio cio
Meio agulha, meio fio

...........
Meio dor, meio festa
Meio crime, meio honesta
Meio noutra, meio nesta
...................
Meio aceita, meio estranha
Meio perde, meio ganha
Entre o oceano e a montanha

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Meio o fim, meio o início
É curtição, é sacrifício
Entre hospitaleira e hospício
...................
Meio lar, meio largada
Meio nova, meio usada
Meio tudo, meio nada

...................
Assim é nossa cidade
Meio livre, meio grade
Entre a mentira e a verdade

.............

21/06/09

POESIA EM VÍDEO

video

VIAGEM RÁPIDA
.......
Tanta coisa pra fazer
e a gente pega esse avião
e a gente pega esse caixão,
como se tudo fosse trem,
como se fosse a solução.
.....
Na curva salta o coração,
na reta morre a inspiração,
na plataforma da ilusão,
embarca a decepção,
que fica bem no meu vagão,
querendo assunto e atenção.
....
Martírio com provocação,
que me permite a reação.
...
Nem tudo cabe nesse trem.
...
Estou chegando à estação.
Viagem rápida que fiz.
O fim das coisas que pensei.
...
Felipe Cerquize
....

15/06/09

RIO DAS OSTRAS JAZZ AND BLUES FESTIVAL

Estive no evento, que aconteceu no período de 10 a 14 de junho de 2009. Abaixo, alguns registros. Para mais detalhes, visitem o site http://www.riodasostrasjazzeblues.com/

VÍDEOS

Coco Montoya na Praia da Tartaruga (Rio das Ostras - 13/06/2009)
http://www.youtube.com/watch?v=Wp4ELD8Wab4

Bad Plus no palco de Costa Azul, principal do evento (Rio das Ostras - 13/06/2009)
http://www.youtube.com/watch?v=YDIQDHsL_KA

John Hammond Quartet na Lagoa do Iriry (Rio das Ostras - 14/06/2009)
http://www.youtube.com/watch?v=w9OIGqpLkkM

FOTOS
Palco em Costa Azul - Área com capacidade para 30 mil pessoas
Divulgação na entrada da área do evento em Costa Azul
Artesanatos à venda na área do evento em Costa Azul
Apresentação de Coco Montoya na Praia da Tartaruga
Pôr-do-sol durante apresentação de Coco Montoya na Praia da Tartaruga
Público na apresentação do John Hammond Quartet na Lagoa do Iriry
John Hammond Quartet em apresentação na Lagoa do Iriry

08/06/09

ENTREGA DO PRÊMIO NÓSSIDE NA UFRJ EM 08/06/2009





video

06/06/09

PRÊMIO NÓSSIDE NO RIO DE JANEIRO


Meus amigos,

em 2008, tive a felicidade de ser premiado em um concurso internacional patrocinado pela UNESCO, na categoria POESIA EM CANÇÃO. A minha música intitulada A CADA PASSO recebeu MENÇÃO DISTINTA no prêmio NÓSSIDE, que tem sede na Itália. O link para audição é http://www.yehplay.com/musics/Felipe-Cerquize-A-cada-passo/137138/ (está na voz de Kiko Furtado).

No ano seguinte ao da premiação, um pequeno comitê de responsáveis pelo NÓSSIDE viaja pelos países onde houve premiados para realizar algumas palestras e para fazer a entrega dos prêmios aos agraciados. O professor Pasquale Amato, presidente do NÓSSIDE, está no Brasil no período de 1º a 11 de junho, passando por São José do Rio Preto, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

O evento no Rio de Janeiro será no próximo dia 08 de junho (segunda-feira), a partir das 9:30 h, na Faculdade de Letras da UFRJ e eu estarei lá para assistir a palestra do Professor Pasquale Amato e receber o meu prêmio. Quem tiver interesse em saber detalhes da programação do Prêmio NÓSSIDE para 2009, a palestra é aberta ao público em geral.

Então, todos os que puderem e quiserem estão convidados para o evento. Ter amigos por perto, nessas horas, sempre aumenta a nossa felicidade.

Abraços!

Felipe Cerquize

25/05/09

O AUTO-NECROLÓGIO ESCRITO POR ZÉ RODRIX

Zé Rodrix (Foto de Toninho Vaz).
Um texto que escrevi, abordando o boato histórico sobre a morte do Paul McCartney, foi motivo para uma brincadeira com o querido amigo Zé Rodrix, cinco anos atrás. Quando enviei o texto para uma lista de discussão, o Zé, no jeito contundente e irreverente que lhe era peculiar, pediu para que eu escrevesse uma história noticiando a sua própria morte. Aí, eu fiz. O título era "O último artista do século XX" e no texto começo descrevendo feitos verdadeiros de sua vida, depois avançando no tempo e descrevendo outros tantos que tirei da imaginação. Na minha história, ele morre aos 144 anos de idade, no longínquo 2091, pois essa foi a forma de atender o pedido dele e ao mesmo tempo brincar com coisa tão séria sem passar o sentimento de medo ou a percepção de perigo.
..
E como o Zé Rodrix era uma pessoa realmente contundente, irreverente e criativa, não satisfeito, ainda me enviou um auto-necrológio, abordando os principais assuntos que estavam no meu texto e outros que provavelmente eram desejos verdadeiros seus. Transcrevo a seguir:
..
"Felipe: Em resposta a seu completissimo questionario passo-lhe às mãos minhas especificações para passamento e eventual necrologio.
..
Há alguns anos, gostaria de ter a causa-mortis preferida de meu pai: assassinado aos 98 anos de idade com um tiro dado por um marido ciumento que o tivesse pego em pleno ato… mas hoje nao mais. Pode ser de fulminante ataque cardiaco, dentro da minha biblioteca, perto o suficiente da familia e dos amigos mas afastado o bastante para que, alertados pelos cachorros da casa, ja me encontrem morto, com um sorriso nos labios.Pode sepultar-me em pleno mar, sob a forma de cinzas, ja que nao poderei ser sepultado in totum no jardim da minha casa. Se conseguirem isso, no entanto, que nao cobrem entradas para visitação, à moda do irmão da princesa: deixem que alem das pessoas os passarinhos e os animais da casa se refestelem no lugar, renovando diariamente o eterno ciclo da Natureza. Ao enterro devem, atraves de convite formal, comparecer todos que foram aos meus lançåmentos de livro: nada mais parecido com um velorio do que isso. Peço parcimonia nos efluvios emocionais: já as risadas devem ser francas e sem limite. Creio inclusive que prepararei com antecedencia uma fita de piadas gravadas para animar o velorio e manter o pessoal na boa. Como dizia o Bozo, “sempre rir, sempre rir….”La so deixarei a mim mesmo: mesmo os inimigos que comparecerem para ter certeza de que estou realmente morto podem voltar para casa em paz. Nao pretendo puxar a perna de ninguem à noite e nem assombra-los depois de morto. Já os amigos podem contar comigo: havendo vida após a morte, volto para avisar, da maneira mais pratica e menos assustadora que me for possivel. A cremação deve ser feita depois que todos forem embora cuidar de seus proprios afazeres: enfrentar as chamas do forno terrestre ja será um grande introito para a vida eterna. Se conseguir, tentarei ser crooner da grande Orquestra de Jazz do Inferno, vulgarmente chamada de SATANAZZ ALL-STARS: como ja vou chegar la tenente ou capitão, dada a minha imensa taxa de maldades realizadas sobre a Terra, creio que nao será dificil. Meu castigo certamente será cantar MPBdQ por toda a eternidade, mas mesmo com isso ainda se pode encontrar algum prazer, assim na terra como no inferno….é o que veremos a seguir. No enterro podem tocar de tudo, menos as musicas que eu tenha feito. Minha morte servirá certamente para que se livrem nao apenas de mim mas tambem de minhas obras. Os herdeiros tambem nao merecem ouvi-las, sabendo que nada herdarão de minha lavra, porque, sendo eu adepto da politica do VAI TRABALHAR, VAGABUNDO, como meu pai fez comigo, ja tomei providencias para que essas musicas nao lhes rendam nem um tostão furado. Sendo um velorio moderno, recomendo musicas de carnaval antigo, as indiscutiveis, claro, com algumas discretas serpentinas e confetes jogadas sobre o caixão, fechado, naturalmente. Morrer num Sabado à tarde, ser enterrado num Domingo antes do almoço, e estar completamente esquecido na manhã de Segunda, sem atrapalhar a vida profissional de ninguem: eis a perfeição que desejo na minha morte.
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Muito grato.
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beijos
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Z"
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Sinto pelo ser humano, que conheci e com quem tive a oportunidade de me relacionar por cerca de cinco anos, e pela arte do nosso país, que perde um de seus expoentes.
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Ficam as saudades do amigo.
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Abraços!
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Felipe Cerquize



09/05/09

ESTRADA REAL I

FOTO TIRADA NO MEMORIAL CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
INTRODUÇÃO
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De 15 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009, estive em viagem pelo circuito da Estrada Real, que tem duas vertentes: uma que começa na cidade do Rio de Janeiro e outra que se inicia em Paraty, litoral sul do estado do Rio. Ambas as vertentes se encontram em Ouro Preto e de lá seguem numa só para Diamantina. Abaixo, uma breve descrição do circuito, retirada do site http://www.estradareal.org.br (trecho entre aspas):
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“A Estrada Real foi sendo construída nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII, em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é seguir os passos e os caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e pela história. Constituída, ainda, pelas vias de acesso, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas que se formaram durante o passar dos homens e do tempo.
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Inicialmente, o caminho ligava a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais rápida ao porto do Rio de Janeiro e, também por imposição da Coroa, foi aberto um "caminho novo". A rota de Paraty passou a ser o "caminho velho", a partir do século XVIII. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada se estendeu até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando Ouro Preto como o centro de convergência da Estrada Real.
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Assim se formou o complexo da Estrada Real, ou seja, mais de 1600 km de patrimônio, cercado de montanhas, natureza, cultura e arte.”
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A minha trajetória começou pelo caminho novo, no Rio de Janeiro, de onde saí às 14:00 h do dia 15/01, seguindo pela BR-040 (Rio–Brasília), até Barbacena, por onde passei para tomar o caminho de Tiradentes, num percurso total de cerca de 340 Km. Além de explorar bem a riqueza cultural de Tiradentes, essa cidade também me serviu de base para conhecer o município de São João del Rei e a localidade de Bichinho.
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No quarto dia (18/01), segui para Ouro Preto, que fica a 200 Km de Tiradentes, porém, passando antes por Congonhas, para conhecer o seu centro histórico e os Profetas do Aleijadinho. Ouro Preto foi a maior das cidades que visitei nessa minha viagem e nela permaneci por três dias, sem deixar de ter a preocupação de definir um roteiro enxuto para que não ficasse algo importante sem ser conhecido. Essa foi outra cidade base e dela parti por um dia inteiro para conhecer Mariana, que fica a pouco menos de 20Km de lá.
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Na quarta-feira (21/01), fui para Itabira, também numa viagem de cerca de 200 Km. Lá, pernoitei dois dias, um dos quais dedicado inteiramente aos Caminhos Drummondianos, que detalharei oportunamente nestas memórias.
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No dia 23/01, parti finalmente para Diamantina, cidade extrema da Estrada Real. Antes de chegar a lá, passei por várias cidades históricas menores, como Catas Altas, Santa Bárbara e Serro Frio, essa última de porte um pouco maior do que as outras. Diamantina fica a cerca de 300 Km de Itabira e, depois de conhecer os pormenores da cidade, tirei uma noite para conhecer a Folia de Reis da cidade de Curralinho, que fica a 8 Km do antigo Arraial do Tejuco.
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Foi nesse ponto que optei por descolar da Estrada Real, e, no dia 25/01, deixei Diamantina e rodei cerca de 150 Km, a fim de chegar de volta à BR-040, de lá seguindo mais 50 Km rumo a Cordisburgo, terra natal de João Guimarães Rosa. Caetanópolis, cidade vizinha de Cordisburgo, é onde fica a Gruta de Maquiné, que também selecionei como parte do roteiro.
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A essa altura da viagem, no afã de otimizar o tempo escasso que tinha, saí de Cordisburgo para Três Pontas, dirigindo 420 Km sem parar. Na verdade, essa quilometragem completou-se na cidade de Varginha, aonde cheguei à noite e pernoitei para, no dia seguinte (27/01) viajar mais 35 Km, até Três Pontas.
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De lá, depois de conhecer a casa de Milton Nascimento e os meandros da cidade e suas adjacências, retornei a Varginha (passagem obrigatória) e passei por Três Corações e Cambuquira, até chegar a São Lourenço, retomando a Estrada Real nesse trecho do “caminho velho” (Percurso total de mais ou menos 120 Km). Em São Lourenço, que para mim é uma cidade especial, fiquei de 28 a 31/01.
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De São Lourenço a Visconde de Mauá, fiz o último trecho dessa viagem (140 Km). Foi em Maringá de Minas, cidade a 5 Km de Visconde, que pernoitei, antes retornar para casa, com direito a um almoço de despedida em Penedo, às 17:00 h do dia 01/02.
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Como comentários gerais sobre o trajeto, além da beleza e da riqueza cultural de todas as cidades visitadas, um ponto forte a ser destacado é a qualidade da pavimentação de todas as rodovias que utilizei para fazer o circuito da Estrada Real. Ficou claro, para mim, que o governo de Minas Gerais está investindo no turismo, dentro desse circuito. Os piores trechos de rodovias que utilizei durante a viagem foram ou fora de Minas ou fora do circuito da Estrada Real, mas não pela qualidade da pavimentação. Cito dois deles: 1) Trecho da BR-040 no Rio de Janeiro, que tem um custo / benefício duvidoso, pois, a cada 60 Km de estrada, pagam-se quase R$ 8,00 de pedágio (na Via Dutra, por exemplo, se paga valor semelhante, mas a cada 100 Km). 2) Trecho da Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a Varginha, onde a estrada é boa, mas a sinalização sofrível.
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Duas outras observações importantes sobre a viagem, na minha opinião, dizem respeito à meteorologia e ao meu veículo de transporte. Na primeira, o tempo foi super generoso comigo e, mesmo com todas as cenas de enchentes vistas na televisão, durante o período que estava em viagem, o máximo que peguei na estrada foram alguns chuviscos. Na segunda, foi o meu carro, que se comportou como um campeão, não dando sinais de fadiga ou de defeito em momento algum do percurso total de 2300 Km, que rodei. Quando terminei a viagem e o estacionei na garagem de casa, a primeira coisa que fiz foi bater palmas para ele, um Manuel Audaz on road.
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Na próxima publicação, iniciarei o relato sobre cada cidade por que passei.
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ESTRADA REAL
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O sangue escorrendo pelo chão,
pelos veios de ouro e diamante.
Instrumento de tua perdição
que serviu ao servil ignorante.
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Mas o tempo, senhor soberano,
mostra sempre o que é certo e o que é errado.
São as lutas travadas no caminho
que não deixam a gente aqui sozinho.
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Os teus mártires não morreram em vão,
eu os vejo no asfalto da estrada.
O poeta ainda inconfidente
sabe como dizer o que ele sente.
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Cadafalso, corrente e garrote,
ciclotímicas surras com chicote.
As cidades exibem o teu lanho
e quem passa não acha isso estranho.
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Realeza do Quinto e da Derrama,
hoje tuas cidades são pacatas.
Tuas cruzes são feitas pra quem ama,
tuas luzes tornaram-se abstratas.
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Ó estrada real e imaginária!
Desfaz teu passado com o futuro.
Mostra a arte da verve que te serve,
ilumina o teu lado escuro.
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Felipe Cerquize
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ESTRADA REAL II

VISTA DE UMA RUA DE TIRADENTES DURANTE PASSEIO NOTURNO
TIRADENTES (MG)
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Saí às 14:00 h do dia 15/01, seguindo pela BR-040 (Rio–Brasília). As surpresas que tive nessa estrada foram três pedágios caríssimos e dois temporais de verão, rápidos, mas intensos. Depois de rodar pouco menos de 300 Km, entrei em Barbacena, onde parei rapidamente para deixar o passado invadir minhas lembranças mais à vontade, pois estive algumas vezes nessa cidade, no início da década de 80, na casa de parentes de minha mulher, que viviam lá e em Correia de Almeida, uma pequena cidade vizinha. Foi em Barbacena, naquela época, que convivi com a rotina de uma fazenda agropecuária, acordando cedo, vendo ordenhas de vaca, colheitas e gente matando a cobra e mostrando o pau, literalmente. Depois dessa breve parada, segui viagem por mais 60 Km de estrada, até chegar ao destino desejado.
..
Tiradentes impressiona pela conservação de seus prédios e ruas, com respeito máximo às suas origens. Para se ter uma idéia, não há fiação aérea no centro histórico, pois toda a rede elétrica é subterrânea (o que não acontece em Ouro Preto, por exemplo). Cheguei de mansinho, chacoalhando nos pés-de-moleque, e subi pela rua em que dois colegas de trabalho haviam me sugerido duas pousadas. Como ambas estavam lotadas, sem opção, segui em frente, saí na rua da igreja matriz, desci a ladeira e, logo no seu início, apareceu uma entrada chamada Largo do Ó. Ali, havia uma pousadinha, “criativamente” chamada “do Ó”, onde fiquei.
...
Apesar de estar entre as menores cidades do circuito que visitei, essa foi uma das poucas em que permaneci por dois dias inteiros. Muitas opções de bons restaurantes, um número razoável de atrações turísticas e duas outras cidades próximas, para onde fui, mas mantendo a base em Tiradentes: Bichinho e São João Del Rei. O melhor dos passeios dentro da cidade foi o de jardineira, em um giro noturno nesse carro antigo, onde o motorista percorre todas as ruas e para nos pontos mais notáveis para contar suas histórias de uma maneira bastante peculiar. O museu do padre Toledo (um inconfidente muito prestigiado na cidade), a Matriz de Santo Antônio, o Chafariz de São José, a única estátua de Tiradentes em que ele está vestido como alferes etc. O motorista tem uma maneira de contar as histórias que surpreende. Com ele, aprendi a origem de alguns termos e expressões, como “pé-de-moleque” (as mucamas faziam aquele doce com amendoim e o punham na janela para esfriar, quando, então, os meninos tentavam furtá-lo e elas apareciam e falavam: “Não faz isso! Pede, moleque, que eu te dou um pedaço!”), “sem eira nem beira” (as abas dos telhados dos ricos tinham dois acabamentos: um interno, que se chamava “eira” e outro externo, conhecido como “beira”. Na casa dos pobres não havia isso, daí a expressão que permanece até os dias de hoje) e “nas coxas” (na época do império, as telhas eram moldadas nas coxas das escravas e, por isso, saíam com tamanhos e formas variados, dependendo do corpo da modeladora. Daí a expressão, que passa a idéia de coisa mal feita). Ao final do passeio, subimos por uma ladeira e fomos parar num mirante, de onde avistamos as luzes da cidade e conseguimos identificar os principais prédios e todo o roteiro feito pela jardineira.
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Saindo para as cercanias, o passeio de maria-fumaça, que cada vez mais se multiplica pelas cidades históricas de Minas. Lá, o trajeto é de Tiradentes a São João Del Rei. Campos, rios, gado, apito e balanço de trem são coisas que me fazem rejuvenescer. Filmei um trecho do passeio, quando saíamos de São João Del Rei, o qual pode ser visto no endereço
http://www.youtube.com/watch?v=pocbHiuEEcs&feature=channel_page .
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Um espetáculo, também imperdível, é o que acontece após as missas noturnas da Matriz de Santo Antônio. Existe um sistema de som e luzes instalado na igreja, em que um locutor narra toda a sua história, descrevendo e iluminando separadamente cada um de seus altares, o órgão secular, as imagens barrocas, o sacrário etc. É um projeto que tem o patrocínio da Rede Globo.
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As lojas de artesanatos da cidade são muito variadas. O centro sempre muito movimentado e com muitos turistas. No Largo das Forras, principal de Tiradentes, ficam charretes para passeios e há muitos bares e restaurantes à sua volta. Os poetas aparecem junto com histórias sobre a Inconfidência (principalmente Tomaz Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto), mas não percebi a sublimação poética que é tão intensa em outras cidades históricas do circuito pelo qual passei. Porém, existem movimentos artísticos fortes na cidade e foi possível vê-los em ateliês, em exposições de arte moderna e em corais que se apresentavam pelas ruas. Filmei um desses grupos e disponibilizei a gravação no endereço
http://www.youtube.com/watch?v=2nfyd-auX58&feature=channel_page. É o Grupo Oficina de Teatro Entre & Vista que, naquele momento, cantava a música “Bem-te-vi”, de Renato Terra.
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Existem outros passeios, do tipo “adventure”, sendo o principal deles a subida pela Serra de São José, que pode ser feita a pé, a cavalo ou de jipe. Essa é uma opção turística que não me agrada muito, além do quê, o tempo fechado também não estava ajudando a fazer turismos mais radicais. Por essa e por outras, substituí essa atividade por passeios pelas lojas da cidade e por um bom chocolate quente na pousada. Também não deixei de comprar o famoso doce de leite do Bolota, indicado até pelo Guia Quatro Rodas (um doce de leite light, saborosíssimo, vendido na casa do proprietário).
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No dia 18 de janeiro, fiz o último passeio pela cidade, aprontei as malas e peguei o caminho para Ouro Preto, via Congonhas.
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SONETO PARA TIRADENTES
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Confundo a cidade com o homem,
confundo o homem com o conjurador.
Fecharei tuas ruas antes que as tomem,
juntarei meus versos com a tua dor.
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Romanceiros, poetas da Inconfidência,
sigo o rastro de teus apontamentos.
Meu suicídio é no cadafalso da inocência
e nas gotas de lágrimas de teus lamentos.
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Por aqui passaram mártires com sonhos,
por aqui passaram padres, poetas e loucos,
por aqui passou a liberdade em sementes.
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Por aqui passam muitos imbecis bisonhos,
por aqui passam tantos, mas são poucos
que desfrutam do sol de Tiradentes.
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Felipe Cerquize
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ESTRADA REAL III

SOLAR DA FAMÍLIA DE TANCREDO NEVES EM SÃO JOÃO DEL REI
SÃO JOÃO DEL REI (MG)
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Quando tracei o meu roteiro pela Estrada Real, minha opção foi a de não me hospedar em São João del Rei. Depois que a visitei, concluí que fiz uma boa escolha. Claro que, quando a gente faz a estada num determinado lugar, fica mais gabaritado para julgá-lo, mas o fato é que, lá, não percebi o glamour das outras cidades que estavam no meu roteiro.
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Depois de uma viagem de maria-fumaça, de Tiradentes a São João del Rei, que levou cerca de meia hora, saltei na estação e entrei numa van fretada, a fim de conhecer os principais pontos turísticos. Quando ainda estava no trem, percebi muito lixo às margens da linha férrea, na chegada da cidade. O cenário não era diferente ao caminhar por suas ruas, contrastando com Tiradentes, uma cidade extremamente limpa, onde imagino que a coleta de lixo deva ser feita de madrugada, pois não vi um lixeiro sequer, de dia e à noite.
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O guia turístico nos conduziu a uma primeira igreja, onde sempre se ouvem aquelas mesmas histórias sobre a quantidade de ouro incrustada nas pinturas e os detalhes da arte barroca. Na terceira igreja que ele nos levou, me recusei a entrar, já sem paciência, e fiquei dentro da van, olhando o chuvisco que caía na rua e no vidro do carro. Depois de quase meia hora, achei estranho os passageiros não terem retornado, pois o normal eram, no máximo, quinze minutos para uma visita desse tipo. Saí do carro e perguntei ao motorista por que todos estavam demorando tanto. Foi aí que fiquei sabendo que aquela era a igreja onde havia o cemitério em que Tancredo e Risoleta Neves estavam enterrados. Depois de uns dois palavrões, pela falta de comunicação, fui até a igreja e visitei o cemitério, tudo muito rápido, devido ao tempo perdido. Em seguida, fomos visitar uma fábrica de taças, vasos e jarras em estanho, bastante artesanal, porém com um acabamento das peças fabricadas tão bom, que a gente não consegue imaginar o quão rudimentar e insalubre para os trabalhadores é o lugar de onde elas saíram. Finalmente, depois de mais algumas voltas pelas ruas históricas da cidade, fomos parar em frente ao solar da família de Tancredo Neves (ver foto), muito bem cuidado, provavelmente com herdeiros da família ainda ocupando o imóvel. Nesses passeios, sempre ficamos sabendo algo que, por alguma vacilada ou falta de atenção, não havíamos aprendido, até então. Nesse, foi o caso da diferença entre um sobrado (casa de dois andares, em que o primeiro é comercial e o segundo residencial) e solar (casa de dois andares, residencial, com portas e janelas simples, embaixo, e janelas com sacada, na parte de cima, tendo um certo requinte no acabamento).
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Tudo isso, que descrevi nos parágrafos acima, ocupou a tarde que tive para conhecer São João del Rei. Na volta, quase perdemos o trem para Tiradentes, pois o motorista da van, com toda sua calma interiorana, dizia que não precisávamos nos preocupar com o tempo, pois chegaria à estação em cinco minutos, visto que o trânsito na cidade não engarrafava. Acabou de falar aquilo e nos deparamos com um acidente, entre um caminhão e um carro, que deixou todas as ruas de acesso à estação de trem congestionadas. Mas como todo mundo se conhece e tudo se sabe nas cidadezinhas do interior, o trem esperou seus passageiros, saindo com um atraso de quase meia hora. Faltaram a poesia e os poetas, em São João del Rei.
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A POESIA DE SÃO JOÃO DEL REI
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Está no lixo que cobre a cidade
Nos bêbados caídos pelas praças
Nos loucos que parecem ser normais
Naqueles que fabricam suas taças
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Nos cemitérios com gente importante
Dentro da igreja pintada de ouro
Vejo suas jóias como um viajante
Mas não consigo enxergar seu tesouro
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Vai na fumaça e no apito do trem
Na calmaria dos seus descendentes
O trem que parte é o mesmo que vem
Trazendo nele o sol de Tiradentes
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Não me interessa ter-te desprezada
Só digo as coisas que eu vivi contigo
Quem sabe, um dia, volte pela estrada
E me ofereça pra ser teu amigo?
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Felipe Cerquize
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ESTRADA REAL IV

ARTESANATO NA PAREDE DE UMA LOJA EM BICHINHO
BICHINHO (MG)
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No dia 17 de janeiro de 2009, atravessei o Largo das Forras e saí do centro histórico de Tiradentes rumo ao único posto de combustíveis da cidade, caminho que, na sua continuidade, conduz o turista ao pequeno distrito de Vitoriano Veloso, mais conhecido como Bichinho. É uma localidade distante cerca de 8 Km de Tiradentes, famosa pela qualidade e pela criatividade das obras dos artesãos que estabeleceram comércio por lá. A estrada não é boa, mas como o trajeto é curto, vale a pena encarar essa adversidade.
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O início da fama foi em 1991, na Oficina de Agosto, com o artista plástico Toti, que ainda restaura móveis e produz quadros e esculturas de material recolhido de demolições. Do ferro, Bageco faz lustres e arandelas. Bonecas de cabaça e de papel marchê são produzidas por Marcello Maia. Carmem tem colchas de retalho, capas de almofada, toalhas bordadas. É possível encontrar galos ciscando em quintais com capim viçoso e um Tiranossauro rex prestes a atacar turistas menos atentos. A vila é pequena e por isso fica fácil encontrar os ateliês, que costumam fechar por volta das 16:00 h.
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O Museu do Automóvel fica no meio do caminho entre Tiradentes e Bichinho. Recomendo que a visita seja feita na volta, sem estresse, pois existem antiguidades muito interessantes nos dois galpões que abrigam mais de 100 carros com anos de fabricação a partir de 1928. Há automóveis que já foram estrelas de comerciais e outros que foram alugados para novelas de época da Globo. A jardineira que faz o passeio noturno em Tiradentes (ver Estrada Real II) pertence ao Museu do Automóvel e é alugado para esse serviço.
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Para quem quiser almoçar durante o passeio, há algumas opções no centro de Bichinho e na estrada de acesso. A mais interessante delas, na minha opinião, é o restaurante Pau de Angu, que fica A 5 Km do centro do pequeno distrito.
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VITORIANO VELOSO
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Nada aqui se perde,
tudo aqui se cria
a partir da transformação.
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De um lado tijolo quebrado,
do outro a reconstrução.
É a lei dos homens
sem a lei do cão.
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É a lei dos bichos,
são nossos caprichos
querendo os detalhes
de um novo artesão.
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São fauna e flora
fazendo a hora.
Só assim se tem
uma revolução.
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Felipe Cerquize

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